31/01/07

Foto: Carlos Manuel Pereira

Aos poucos vou chegando ao fim da viagem que me aventurei a fazer, pontuada de recordações, e vou entrando nos labirintos da vida real, onde por vezes o vento do dia a dia parece cortar.
Olhando em frente, atrevo-me por becos e vielas com que vou deparando, durante a minha caminhada, a cada dobrar de esquina do destino. Do meu!!
Sempre consciente da distância que se vai encurtando, das saudades que sinto se vão esfumando a cada passo que dou, e do amor que, afinal, nunca perdi...
Foto: Carlos M. Pereira

Há cicatrizes que nos ficam na alma, de "batalhas" perdidas ao longo da vida...
Mas o que importa é não desistir, aprender com os erros cometidos e jamais deixar de acreditar e lutar pelos nossos sonhos!!!

30/01/07

Foto: Thomas Kemp
O poeta deve deixar traços da sua passagem, não provas.
Só os traços fazem sonhar...
- René Char -
Os Grandes Portugueses

Muito se tem falado, escrito e comentado sobre o programa da RTP - "Os Grandes Portugueses" - que considero um desafio à nossa memória. Tenho que admitir que apareceram por lá nomes por mim esquecidos, no caso de eu própria ter que fazer uma lista.
Sempre que me é possível sigo os programas da RTP, ou leio sobre o assunto, como tal vou acompanhando de perto o desenrolar da "famosa lista"!
Ontem, ao final da tarde, uma colega entrou aqui no gabinete, com um ar muito indignado, e comentou que na última edição do "Sol", constava que, neste momento, António Salazar era o nome mais votado, e se achavamos isso normal!! Não sei se é verdade ou não porque não li.
Respondi que sim, que achava normal. Se o nome constava na lista dos dez mais votados, era tão normal estar em primeiro lugar ele como qualquer um dos outros. Esse facto deixava-a tão indignada a ela, como me deixava a mim indignada o nome de Álvaro Cunhal aparecer nos dez mais.
Recordo-me que num dos programas da RTP, apresentado por Maria Elisa, também a apresentadora disfarçou mal a sua indignação por Salazar aparecer na lista dos 100 mais votados. Nem imagino qual terá sido a sua reacção quando ele apareceu nos dez finalistas... Adiante!
A mim não me surpreendeu em absoluto que Salazar constasse da lista. Surpreendeu-me sim, que na lista dos 100 mais votados surgissem nomes como: Otelo Saraiva de Carvalho - que pertenceu a uma organização terrorista as FP25, e andaram por aí a matar gente, recordam-se? - Pinto da Costa, que já todos conhecemos de sobra do intocável mundo do futebol, e digo intocável porque isto do "apito dourado" não vai dar em nada - outros nomes como, José Mourinho, Herman José, José Socrates, Hélio Pestana - para quem não sabe de quem se trata, como eu, é um personagem da série Morangos com Açúcar, Cristiano Ronaldo, e Alberto João Jardim, são alguns dos nomes que fizeram parte da lista dos 100 mais votados... É mesmo verdade, embora seja lamentável.
Perante isto, era no minímo ridículo que o nome de António Salazar não constasse da lista. E só depois de se terem acumulado comentários irados no forum do site e em diversos blogues, a acusarem a RTP de censura - um serviço público - pela ausência do nome de Salazar, é que lá apareceu seu nome. E surpresa das surpresa - ou não...? - um dos mais votados.
Quer se queira e goste, ou não, o nome de António Salazar faz parte da História do nosso País. Como qualquer outro dirigente, teve coisas boas e más. O certo é que era um homem honesto, livrou Portugal da segunda guerra mundial - o que para alguns foi bom e mau para outros - o ensino foi o melhor de sempre, a TAP e as companhias de navegação sempre deram lucro, havia segurança nas ruas, as empresas do estado davam lucro, a inflação era baixa, etc.!!
Certamente que cometeu muitos erros durante os quarenta anos de gorverno, e uma das acusações que lhe fazem é que não se podia falar contra o regime abertamente, senão mandava prender o pessoal. Na união soviética também era assim, e afinal votaram no nome de Álvaro Cunhal, que muito fez e se esforçou para que pertencessemos à URSS de então. Quer-me parecer que iria ser um pouquinho(?) pior do que na época de Salazar, acreditem!!
Um dos nomes que consta na lista dos dez finalistas e que na verdade me deixa indignada é o de Álvaro Cunhal. Vou aqui deixar umas palavras do Prof. Pedro Dias, ex-director da Torre do Tombo, que ao saber que o nome de Álvaro Cunhal fazia parte da lista final, não concordando diz o seguinte: "Não devia constar na lista dos "Grandes Portugueses", ainda se fosse na dos grandes soviéticos... - refere acrescentando - que Cunhal era um agente estrangeiro ao serviço de uma potência estrangeira para transformar Portugal numa colónia soviética". Em poucas palavras o Prof. Pedro Dias, diz tudo!!!
Será que alguém tem medo que Salazar ganhe o concurso???
Será que o resultado final não vai ser forjado?
Vamos então aguardar pelo final de toda esta polémica.
Quem irá ganhar e ser o número um dos "Grandes Portugueses"?
Para terminar, fica a seguinte frase, cujo autor desconheço:
"No início do socialismo existem as dificuldades do crescimento,
depois, vem o crescimento das dificuldades...!"
Foto: Amanda Com

Não estar por nada nem ninguém
Incógnita,
para ti
somente.

- Paul Celan -

29/01/07

Foto: autor desconhecido

Sem te tocar

emergir do sono em que estou
pairar sobre a fisionomia do fogo
e dar-te um nome de água

mergulhar em ti
e apanhar-te o fundo,
o beijo em apneia...

escavar os dias de chuva
ao encontro da sua nascente,
todas as forças são poucas
para te dar de beber...

(diluído na fantasia construo a obra de vidro,
é o derreter da areia sobre os meu passos
quando quero propor-te o orvalho da noite
onde o acromo passado morrerá após o sono.)

nomear-te para os sonhos de papel
fertilizando o ciclamor
e em cada vermelhar cordiforme, abalar
o medo dos nocturnos corredores
onde as aranhas se recolhem no silêncio.

sem te tocar
vives-me nas mãos.

- Nelson D'Aires -











Praia Xai Xai
Moçambique
Segunda feira...???
Bom dia!!!

26/01/07

Foto: José Gama

Há momentos e prazeres recentes, tão recentes, que sentimos como se fossem labirintos onde nos queremos perder. Porque sim!!

E há sempre um instante, aquele último instante - feito de breves minutos - em que tudo, absolutamente tudo, pode acontecer...
Tudo o que nunca tinha acontecido antes!
Como nunca tinha acontecido antes...
Foto: José Gama

Sinto que se aproxima de mim um destino que não escolhi.
O amor corrói-me a pele, mistura-se ao desejo e não me deixa sossegar, nem mesmo quando durmo - mas o amor não é eterno.

Deve ser avassaladora e medonha a última noite de amor...

- Al Berto -
Foto: Pedro Gomes

Amei-te como se ama os pássaros,
delicados no pisar das flores...

- Possidónio Cachapa -

25/01/07

Foto. Amanda Com

reparar no vento
e no calor havido
no momento
na expressão das pessoas e coisas
pensamento

e de repente

maravilha

estavas cá dentro
lembrada
não esquecida

- Mário Garcia -
Há já algum tempo que estou para falar aqui do "assunto" do momento e, na minha opinião, muito delicado! Sobre a despenalização do aborto no nosso País. Tenho lido tudo o que me é possível sobre este assunto e na verdade, a esta altura, ainda não sei se no dia 11 de Fevereiro irei votar no "sim" ou no "não"! Não sei mesmo! Falei há algum tempo com uns amigos sobre o tema, e não chegamos a conclusão nenhuma.
Vou aqui deixar dois artigos, dos muitos que li, um de Pedro Rolo Duarte e outro de Vasco Pulido Valente, e depois de os ler o meu impasse mantem-se.

Oito anos depois...
Se eu acreditasse que o Estado algum dia iria assumir o seu papel social de apoio às mulheres e famílias sem recursos; se eu acreditasse que as associações de "defesa da vida" (que aparecem quando se anunciam debates e desaparecem no dia a seguir aos referendos) iam cumprir o que prometem sobre solidariedade e promoção de uma "cultura de responsabilidade e de respeito pelo valor da vida"; se eu acreditasse que, fora do período de propaganda eleitoral, alguém neste país trabalhasse "na criação de condições para que todas as mulheres que engravidam possam ter verdadeiras alternativas de vida e não façam escolhas de morte", como leio num desses manifestos; se eu acreditasse que as 25 a 30 mil interrupções de gravidez ilegais que se fazem anualmente em Portugal deixassem de existir por via da educação sexual, do presumível apoio do estado, e da conversa moralista das tais associações criadas por encomenda; se eu acreditasse, enfim, na bondade intrínseca das instituições, e no cumprimento dos deveres mínimos do Estado; se eu...
Ora... Eu assisti ao debate para o anterior referendo, e apesar do resultado, ou talvez por causa dele, acreditei vagamente que todos os que nele intervieram iriam depois assumir as suas responsabilidades e trabalhar no terreno para uma enorme mudança de mentalidades, de atitudes, e a uma efectiva promoção da tal "cultura de responsabilidade" que produzisse efeitos e resultados numa efectiva diminuição do número de abortos clandestinos...
... Nesse caso, ponderava o meu voto no dia 11 de Fevereiro. Como infelizmente o tempo - nomeadamente o que mediou entre o ultimo referendo e o dia de hoje - me provou que no dia a seguir à consulta popular toda a gente recolhe a bandeira e tudo volta ao mesmo (ou seja, os que podem, garantem o aborto clandestino nas melhores condições, dentro ou fora do país - e os outros engrossam a lista de clientes das parteiras de vão-de-escada e ainda se sujeitam à humilhação de uma passagem pelo tribunal), e como passados oito anos nada mudou, nem sequer os argumentos, essa é para mim a melhor prova de que o voto no "não" deixa tudo na mesma - porque deixou tudo como estava. Ou seja, mal. É o que o tempo se encarrega de nos demonstrar desde que, em 1998, se discutiu, debateu, e no fim votou. Assim sendo, não adianta debater mais o assunto. Os factos falam por si. Estamos no reino da hipocrisia. Só nos resta votar. No meu caso, "sim".

- Pedro Rolo Duarte in DN -

O referendo
Não gosto do referendo e sempre o achei perigoso e nocivo. Primeiro, porque diminui e desvalorioza a representação política. Segundo, porque inevitavelmente tende a deturpar o debate e a vontade do eleitorado. Nenhum problema complicado tem uma resposta de "sim" ou "não". E, como não tem, os dois lados de qualquer campanha, como, no caso, a campanha sobre o aborto, acabam por cair na "simplificação terrível" da demagogia. Basta abrir os jornais. José Pinto Ribeiro, por exemplo, disse isto: "Um ovo não tem os mesmos direitos de um frango." Fora o mau gosto, quem falou em frangos? Mas Pinto Ribeiro não foi o único. César das Neves, no seu estilo hiperbólico, avisou que "a vitória do sim" torna o aborto tão "normal" como comprar um "telemóvel". Uma ideia que não se distingue pela sua especial humanidade. Gentil Martins quer punir as mulheres que reincidirem em abortar. E até houve um bispo que resolveu comparar o aborto com o enforcamento de Saddam Hussein. Deus lhe perdoe.
Significativamente, os grandes militantes do "sim" e do "não" vêm quase todos da classe média. Sucede que, para a classe média, o aborto não é um problema. Conhecendo bem os meios de contracepção e a "pílula do dia seguinte", quase nenhuma mulher (ou casal) da classe média é apanhada (ou apanhado) na necessidade de escolher entre um filho e um aborto. E, se as coisas por negligência ou acidente chegarem ao pior, não recorrem com certeza ao "vão de escada". Não admira, por isso, que vejam no aborto primariamente uma questão moral, de justiça social ou dos direitos da mulher e não hesitem em entrar numa polémica de "intelectuais", abstracta e violenta e, ainda por cima, incompreensível para quem, de facto, aborta.
Mas, pior do que o resto, é que, a pretexto de permitir uma decisão directa do "povo", o referendo criou pouco a pouco um confronto azedo entre a Igreja e a esquerda. Ou, se quiserem, entre a esquerda (com o PS à frente) e os católicos. Não se percebe como, apesar da prudência do patriarca, a Igreja se deixou envolver numa causa puramente política, que não contribui para a reafirmação da sua doutrina (e pode, pelo contrário, mostrar o desinteresse do país por ela) e que, ganhe o "sim" ou ganhe o "não", nada, ou quase nada, mudará na prática. Como não se percebe que o PS, excepto por exorcismo, se meta numa querela que só serve para promover o Bloco. A Igreja julga que pode fechar a porta ao aborto e os políticos que se livraram de um grande sarilho.
Erro deles. Com o "sim" ou o "não", o referendo é o princípio de uma longa guerra, não é o fim.

- Vasco Pulido Valente, in Público -
Foto: Espirito da Luz

Como se fossem as primeiras lágrimas do outono, chovia na cidade. Como se fossem as lágrimas por mim evitadas. Aconchegada no cadeirão, o olhar perdido na janela onde a chuva bate e só ela interrompe o silêncio daquela sala.
As palavras perderam - há quanto tempo? - o hábito de conversar comigo! Já nada têm para dizer. Apenas o silêncio, que me consome o conforto, como se respirasse o mesmo ar que eu, como se causasse uma lenta asfixia em que sobrevivo.
Já tudo foi dito. Já tudo foi escrito. Já não há mais palavras. Já nem há um último dia, onde ainda algo poderia ser dito.
Apenas o silêncio, interrompido pela chuva que bate na janela e esta ausência anónima a que por hábito, chamo de vida.
Talvez um dia chame por um nome - um dia qualquer - se ainda me lembrar dele...
São as únicas palavras que ainda me restam!!!

24/01/07

Já repararam em como os dias são maiores?
Há cerca de um mês a esta hora já era noite. Agora às seis da tarde ainda há uma réstia de luz natural.
Estou ansiosa que cheguem os dias com sol até tarde, para ir até uma esplanada, conversar, tomar um copo, e desfiar conversa...
Digam lá que não é bom??
Já falta pouco!
Ontem, final de tarde e inicio de noite no Bar do Ritz, que por sinal estava cheio. Certamente alguma excursão ou muitos negócios.
Servem umas vodka com limão que são uma delicia, o ambiente é simpático e quentinho. A companhia era óptima e a conversa foi diversa, de quem se está a conhecer e no inicio de uma amizade!
Quando regressei a casa, dei comigo a pensar, que alguém me está a proporcionar momentos tão simples e muito agradáveis, como um final de tarde de boa conversa, um copo, tudo aquilo que eu gostaria de ter vivido com outra pessoa e que nunca foi possível. Comigo, nunca foi possível. E nem quero dar "um nome" ao motivo porque nunca foi possível concretizar um prazer tão simples como este. Porque me magoa pensar que era esse o motivo...
Já passou...!!
Bom dia, já repararam no sol lindo que está lá fora? Que importa o frio?
Foto: Kazuo Okubo
Eu gostaria tanto de amar-te. Quando te tomo nos meus pensamentos, vai a noite escura ao largo da gente e das árvores, e eu penso que a minha alma te pertence. Pudera eu, meu amor, ou lá o que és, que pudesse pertencer a alguém.
- Miguel Esteves Cardoso -

23/01/07

Foto: X Maya

Acendo um cigarro e falo com o meu coração:

Esta noite tive um sonho, conheci um homem que tinha o mar no lugar do coração e quando sentia o seu corpo contra o meu, ouvia lá fora a fúria do mar.

Devagar tudo o que nos rodeou foi-se tornando negro, e despeço-me de um rosto pelo qual arrisquei a vida e, por vezes, a razão.

Amo-te ainda.

- Al Berto -
Foto: Gonçalo Trafaria
......
Só os outros nos podem sossegar. Só no meio da vida, em plena acção, se pode, vale a pena, estar sossegado. O "eu" interior é uma algazarra de desasossego. Para mais, árida e desinteressante. O budismo de trazer por casa que invadiu a nossa cultura, uma espécie de narcisismo espiritual, traduz uma noção repugnante de superioridade. Os outros podem ser o inferno, mas cada indivíduo ainda é mais.
Não saem da cabeça os instantes, poucos, em que me senti sossegar - e foi sempre graças a outra pessoa, vista ou lida, conhecida ou desconhecida, viva ou morta, menina ou crescida, sábia ou maluca, próxima ou longínqua, mas sempre presente, mais presente que eu próprio. Eu próprio, por defeito talvez, não consigo lá chegar. Nunca encontrei o sossego nos outros - foram sempre os outros que me sossegaram. E quase nunca deliberadamente.
Lembro-me, em particular, de um momento que consistiu apenas em olhar para alguém e sentir que tudo nela me era querido e conhecido e familiar.
Não há no mundo paisagem como o rosto da pessoa amada, sobretudo quando está agitado, a rir-se ou a zangar-se, desprevenido, apanhado nos olhos como se estivesse dentro deles já. Sentir essa mistura de perdição e de proximidade é verdadeiramente sossegar.
Não são as mentiras, por muito boas, que sossegam. Só a verdade.
Às vezes sossega ouvir "odeio-te!" em vez de "amo-te!", se "odeio-te!" for dito com amor e com verdade, e "amo-te!" com preguiça, por hábito, ou expressamente para nos sossegar.

No outro dia, quando perguntei a alguém que amo, se queria vir jantar, em vez de dizer "não posso", por isto ou por aquilo, disse apenas "não". E sossegou-me. Quando se está sossegado aguenta-se tudo. A tristeza torna-se pequena. O mundo reduz-se à dimensão que tem.
O que mais queria na vida era sossegar. Não há diferença entre correr atrás das estrelas e ficar na cama a apascentar. O desasossego em que vivemos deve-se, pelo menos em parte, à nossa incompreensão do que é, na pura verdade, sossegar e à cobardia e ausência de vontade de tentar alcançá-la, entregando-nos nas mãos de quem nos pode ajudar.
Que ao menos seja esta a causa do nosso desasossego, porque tudo o mais que queremos ou pensamos querer (a felicidade, a realização, o prazer, a tranquilidade) ao pé do puro sossego não é possível - e, se calhar, nem sequer é verdade.

- Miguel Esteves Cardoso -

22/01/07

Todos nós, tivemos ao longo da vida, amores mais um menos importantes. Uns deixaram saudades e momentos bonitos de recordar, outros nem por isso, ficaram para trás sem qualquer importância.
Com o passar dos anos, vamos sentido que a forma de amar muda e torna-se diferente. Talvez mais madura, mais serena, mas mais intensa sem dúvida.
Já aqui disse diversas vezes que nunca tive vergonha de mostrar os meus sentimentos. De dizer "gosto de ti" através de palavras e gestos. Através da ternura, do carinho.
A última vez que me apaixonei por alguém, foi de uma forma diferente de qualquer outra. Tranquila, consciente, sem sobressaltos e acima de tudo muito especial. É isso! Muito especial!
Tão especial que estava disposta a tudo, nada me importava, apenas queria transmitir à outra pessoa tudo o que sentia. Nunca consegui atingir esse objectivo. Nem através de gestos, ou de um olhar, nem através de palavras escritas ou faladas.
Por vezes, apetecia-me - como isso fosse possível - transformar em matéria aqueles sentimentos e coloca-los nas mãos daquela pessoa, e dizer-lhe:
- Está aqui o que sinto por ti! Repara no quanto é especial...
Hoje, e passado todo este tempo, lamento tê-lo sentido pela pessoa errada! E quando digo "errada" não quero dizer que essa pessoa não seja merecedor desse sentimento tão especial - nada disso - digo errada pelo facto de tê-lo sentido por alguém que nunca retribuiu esse sentimento. Ninguém tem culpa disso. Não gostamos de quem queremos!
Tenho a certeza - por experiencia de vida? - que nunca mais voltarei a sentir por ninguém o que senti por aquela pessoa. Porque há coisas que só acontecem na nossa vida uma única vez! Não se repetem, talvez por terem sido tão especiais.
Ponto final!!!
Resta-me fazer aquilo que afinal tenho feito ultimamente, viver um dia de cada vez, e aproveitar ao máximo tudo o que a vida tem reservado para mim.
Garantidamente, sem sentimentos à mistura!!!