12/04/07

Há dias ouvi nas noticias que há cada vez mais cegonhas em Portugal. A partir desta altura do ano elas regressam ao nosso país, vindas de África, para fazerem os seus ninhos.
Cada vez mais encontramos ninhos de cegonha ao longo das estradas e auto estradas.
Como todos sabemos são as cegonhas que trazem os bebes, e como neste momento em Portugal as crianças nascem, cada vez mais, nas estradas e auto estradas dos país as cegonhas estão no sítio certo para fazerem a entrega....
Os meus recortes....

DEFEITO E FEITIO
O ministro britânico, Jack Straw, afirmou que pede às eleitoras muçulmanas do seu círculo eleitoral para, nas reuniões que com elas mantém, retirarem o véu que algumas usam, visto sentir-se "desconfortável" ao falar com alguém cuja cara não consegue ver. Compreendo Straw. Também eu tenho uma grande dificuldade em falar com o sexo oposto, estejam elas cobertas por um véu, ou tragam consigo pouco mais do que aquilo com que vieram ao mundo. Enquanto os meus contemporâneos sabem sempre o que dizer nas alturas certas, eu até a um "bom dia" vindo de uma jovem esbelta tenho dificuldade em saber o que devo responder.
Também isto não me tem ajudado no meu relacionamento com essa parte da sociedade que se distingue pelas sua apelativas curvas. Claro que poderia compensar esta minha incapacidade, caso estivesse disponível para as "ouvir" e "compreender". Segundo relatos (a minha única fonte de informação nestas matérias), é apenas isso que elas, hoje em dia, "procuram". Alguém que faça delas o centro do seu universo. Alguém que lhes dê "atenção". Talvez seja defeito, mas por feitio, a única atenção que estou disposto a dar é a que dou à televisão (tal como em relação às raparigas, prefiro as estrangeiras). Vivo, por isso, num mundo hostil para uma pessoa como eu. Toda a humanidade valoriza a generosidade. As relações pessoais baseiam-se na generosidade partilhada. Os pais dão brinquedos aos filhos, os maridos dão jóias às mulheres, as mulheres dão problemas aos maridos, e os líderes do G8 dão, a ditadores africanos, o dinheiro dos contribuintes (o Dr. Prado Coelho acabou de puxar da pistola). Eu limito-me a dar a mim próprio horas e horas de Sopranos e bom cinema. Afinal, de que outra forma poderia passar umas boas horas com esse raiozinho de sol que é Kirsten Dunst?
O leitor dirá que é um erro da minha parte. Que estou a desperdiçar a minha juventude (que, diga-se de passagem, merece ser desperdiçada. Se estes são os melhores anos da nossa vida, nem quero imaginar como serão os restantes). Dirá que a televisão não é capaz de fazer um homem verdadeiramente feliz. Talvez não seja, mas por outro lado, nunca gozou com a minha aparência. Só por isso, já me fez mais feliz que muita rapariguinha que por aí anda.

- Bruno Alves / Revista Atlântico -
A semana de Richard Gere

11/04/07

Foto: Pascal Renoux
Foi assim neste jeito
de não saber o que estou fazendo
que procurei o teu encontro
pelas esquinas da vida
no encontrão de tudo e de todos.
Como eu gostaria
que aqui ficasses.
Aqui dentro de mim.
- Henrique Risques Pereira -
in "Transparência do Tempo"
Há Mar ao Luar
Durante a hora de almoço fui ficando por aqui e resolvi "viajar" na net e descobri o seguinte endereço, que aconselho a quem ainda não conhece e quer dar umas "escapadelas" ao fim de semana.


É um site de hotéis, pousadas e guesthouses de norte a sul do país, com sítios lindíssimos para descansar ou namorar num fim de semana. Este que está na foto chama-se "Há mar ao luar" e encontra-se no Parque Natural da Arrábida, com o rio Sado a completar a paisagem de sonho. Espreitem porque vale mesmo a pena. E há muitos, muitos outros.
Nunca estive a passar o fim de semana num sítios desses, mas acredito que um dia isso vai acontecer.
Agora, vão até lá, comecem a imaginar, a sonhar e a planear uns dias para mais tarde recordarem...
Bons sonhos!!!
Foto: Pedro V.Franca
E a seguir ao almoço.....
Não basta ser....
Hoje durante o trajecto para o serviço, oiço uma notícia que me fez rir, o que é raro hoje em dia. Normalmente as notícias que ouvimos deixam-nos preocupados! Cada uma é pior que a outra!
Dizia a tal notícia que - e passo a citar - o Jornal Público foi condenado a pagar uma indemnização de 75 mil euros ao Sporting por ter divulgado uma notícia verdadeira, sobre a dívida que o clube tinha ao Estado, desde 1996.
Portanto, apesar da notícia ser verdadeira, o tribunal entendeu que o Sporting foi lesado no seu «bom nome e reputação». Em 2001 os jornalistas desse diário foram absolvidos, mas o clube recorreu da decisão, e em Setembro de 2006 o Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a primeira decisão. O clube apresentou novo recurso, e o Supremo veio agora contrariar as duas decisões anteriores, concluindo que os jornalistas agiram de «modo censurável do ponto de vista ético-jurídico», entendendo que o direito à honra se sobrepõe ao dever de informar.
O Jornal Público vai recorrer ao Tribunal Europeu.
Achei piada quando se diz que o Sporting foi lesado no seu bom nome e reputação! Qual bom nome e reputação? O que fizeram os dirigentes que passaram até hoje pelo clube, por esse bom nome e reputação? Não terão sido eles os primeiros a não respeitar o nome do Sporting?
E por esse bom nome e reputação as pessoas não têm o direito a ser informadas da verdade? O jornais não podem, nem devem contar a verdade? Ora bolas!!!
Aqui há uns largos anos, quando os clubes tinham realmente um bom nome e reputação, quem ia para presidente desses grandes clubes eram pessoas conhecidas, influentes e com nome de respeito, para dar ainda mais prestigio aos clubes. Hoje em dia, vão para presidentes aqueles que querem ser conhecidos, ter nome e prestigio.... Portanto, tudo ao contrário!!
Se querem bom nome e reputação, façam por isso. O respeito pelo clube tem que vir de "dentro", de quem está a comandar.
Como a mulher de César: Não basta ser! É preciso parecer...!!!
E os clubes - em geral - hoje não são, e muito menos parecem.
Bem, espero que no fim disto tudo, o Sporting aproveite a indemnização que vai receber e abata uma parte da divida que tem ao Estado.
Os meus recortes.....

VOCÊ VENCEU!

Momentos antes de você ser gerado, nove meses antes de nascer, portanto, você tinha a companhia de três biliões de espermatozóides ao seu lado. Não existe nenhuma regressão que faça com que você se lembre deste primeiríssimo momento da sua existência.
Imagine a cena. Três biliões de criaturinhas correndo desesperadamente atrás de um único óvulo. E, se você tem uma certeza na vida, é esta: só você chegou lá. Ou seja, você é um(a) vencedor(a). Não sei como foi que eu e você conseguimos esta proeza. Talvez tenhamos atropelado alguns concorrentes, dado cotoveladas em outros. O facto é que estamos aqui. Eu escrevendo e você lendo.
Numa corridinha mixa de 100 metros numa olimpíada o sujeito ganha louros, medalhas e dinheiro. E concorre com quantos? Dez, doze pessoas. Mas eu e você corremos contra 2.999.999 (o número pode não ser muito exacto, mas é por aí). E chegamos. E o mais trágico: todos eles morreram. Todos. Enfim, nascemos matando metade da população actual do planeta.
Chego a algumas conclusões. A primeira, inapelável, é que nascemos com culpa, meio sem graça, chorando. E já levamos um tapa na bunda para deixarmos de ser metidos e assassinos. Sim, todo o mundo ao seu redor, olhando-te no berçário, e pensando: e os outros? E os outros?
Por outro lado, deveríamos todos os dias abrir a janela, olhar e sorrir, pensando: eu consegui! Eu sou demais! E deveríamos estar felizes com a nossa condição de vencedores. A primeira batalha, a primeira maratona, contra biliões, a gente venceu. Não bastaria isto para sermos eternamente felizes? Agradecer diariamente a nossa ovular vitória?
Vi no "Fantástico" de domingo que o terrorista Bin Laden já matou - com os seus atendados - cerca de cinco mil pessoas. Já Bush com as suas duas guerras, matou perto de dez mil. Quem é mais terrorista?
Talvez se o Bin Laden, quando o pai dele estava fazendo amor com a sua mãe (sim ele deve ter tido uma amada mãe), talvez se ele ficasse em segundo lugar, teríamos mais cinco mil pessoas vivas. Números pequenos, diante dos que eles deixaram para trás ao serem gerados.
Fiquem a pensar nos espermatozóides que deixei para trás num dia qualquer de maio de 1945 (será que foi o dia D?). O que seria de cada um deles, se tivessem passado na minha frente? A única certeza é que teriam nascido no mesmo dia que eu. Poderia até ser uma mulher. Existe espermatozóida?
E, ainda abalado com os atentados de Espanha, penso nos espermatozóides. Já vencemos a nossa principal batalha, já deixamos para trás três biliões de futuros cidadãos. Por que queremos matar mais e mais e mais? Será que não basta ao homem ter vencido a sua principal corrida, a guerra do nascimento? Não deveríamos todos viver apenas para comemorar que conseguimos nascer, sãos e salvos, sem usar nenhum míssil, nenhuma granada? Ganhamos uma guerra jogando limpo. Apenas, sei lá como, fomos mais espertos e rápidos que os nossos outros companheiros de jornada, coitados (literalmente).
A que óvulo estas pessoas que matam inocentes querem atingir? Uma ogiva? Por que eles não matam a própria mãe que os gerou e deixam o resto do mundo em paz?
É, há uns espermatozóides por aí que poderiam muito bem não ter chegado lá. Alguma coisa eles aprontaram lá dentro para chegarem na frente. Alguém foi subornado lá dentro. Pena que naquele tempo não havia câmaras para filmar as acções intra-uterinas e nem telefones de escuta!!

- Mário Prata in "Crónicas" -
A semana de Richard Gere

10/04/07

Vou então encerrar este dia que ao final da tarde resolveu fazer "caretas",
... com um sorriso!!!
Bem, agora vou dar uma voltinha pela FNAC porque não me apetece de todo, ir para casa.
E como hoje não tenho por lá ninguém à minha espera, vou então desanuviar...
Até amanhã!!!
Lá em casa, todos sem excepção, gostamos de dormir. E quando pudemos não nos fazemos de rogados! Ao fim de semana, normalmente é o meu filho que acorda mais cedo. Eu e a minha filha ficamos sempre mais um bocadinho na cama caso seja possível.
No fim de semana passado, num dos dias, quando me levantei lá estava o meu rapaz na sala - de porta fechada para o corredor que dá acesso aos quartos para não fazer muito barulho - e dei com ele a ouvir.... Pink Floyd e Scorpions!!
Quando lhe perguntei se ele gostava, visto que eram dois grupos já bastante antigos, ele respondeu-me, muito naturalmente:
- Bi, achas que se eu não gostasse estava a ouvir a música? Claro que gosto!!! Só tenho pena que os Pink Floyd já não estão juntos, não vou ter hipóteses de os ver tocar ao vivo.
Bem, tenho que admitir que não esperava nada por aquela surpresa!!
A partir de hoje, vou aqui dar lugar às palavras dos outros. Palavras que fazem sentido e textos que de alguma forma me "tocaram", não só pela forma de escrita, pela mensagem, pelas verdades, pelo sentimento, enfim, porque gostei acima de tudo do que li. Farão certamente parte de "Os meus recortes". As minhas palavras ficarão para trás, por motivos que nem sequer são importantes referir aqui. Ou talvez, porque já não há nada para dizer! Se houver, não deixarei de as colocar aqui. Sempre que sinta necessidade de o fazer.
Começo com um texto do livro «Bocados de Nós», de que aqui falei ontem. Palavras que tiveram o efeito de um "puxão de orelha" e me deu que pensar, porque afinal é mesmo assim...

"Amar quem não nos ama"
Um artigo excelente de Miguel Esteves Cardoso, no Expresso, está na origem desta crónica.
O texto, que analisava, com enorme sentido de humor e de verdade, o problema do nosso relacionamento com os antigos países de língua oficial portuguesa (PALOP) tinha, na sua base, uma questão que me parece fundamental - a ilusão que representa amar quem não nos ama.
Passando da análise político-económica das relações sentimentais de Portugal com as antigas províncias ultramarinas para as realidades quotidianas, considero que este assunto atinge uma significativa parcela dos cidadãos de ambos os sexos, que povoam o universo em que vivemos... E foi até, como se sabe, tema de alguns grandes romances da literatura contemporânea.
O lado afectivo do Homem supõe, a meu ver, retribuição ou pelo menos contrapartida. E se é uma realidade que nem todos amam da mesma forma, todos gostam, de um modo geral de ser amados.
O problema, porém, reside aqui. Gostamos de ser amados tout court, ou precisamos de ser amados de uma determinada maneira, que é a nossa? Bastará, apenas, sentir que nos amam?
Talvez por educação, talvez por escassa vocação para o inútil sofrimento, sempre me pareceu insuficiente o amor não correspondido.
Amar, no seu sentido mais estrito, é, do meu ponto de vista, um exercício simultâneo, que carece de ser alimentado por manifestações várias, que vão da ternura à cumplicidade, passando por toda uma gama de estádios, que variam de pessoa para pessoa.
Mas amar quem não nos ama aparece-me como um desgaste sem qualquer sentido, que empobrece a existência e limita extraordinariamente a nossa vida.
No caso específico da mulher, habituada como está ao sacrifício, o problema toma aspectos ainda mais graves. Em grande parte dos casos a educação sentimental da rapariga faz-se através das suas mães, que têm alguma dificuldade em tocar, abertamente, em problemas deste tipo.
De facto, a mãe sente, ao falar de questões afectivas com a sua filha, que corre o risco de ter de abordar a sua própria vida sentimental, o que pode afectar a imagem que dela pretende transmitir ou, o que é pior, considera tal matéria como área tabu, na qual não permite qualquer intromissão.
O caso oposto, menos frequente, é o de tratar a filha como igual, e fazê-la partilhar de uma intimidade de vida que, em princípio, não deveria sair do foro pessoal.
Por seu lado, não se sentindo, também, o pai como a pessoa mais indicada para este género de diálogo, a mulher vê-se limitada à sua intuição, ou ao conselho dos amigos, nem sempre os mais avisados.
Assim, a tendência será a da concentração, cada vez maior, num sentimento masoquista que em nada contribui para o equilíbrio de cada um dos intervenientes na história, visto que o próprio objecto dum sentimento deste tipo não pode, senão, considerá-lo como extremamente embaraçoso.
À semelhança do que Miguel Esteves Cardoso diz acerca dos países africanos que não gostam de nós, também aqui eu serei tentada a sugerir que os enormes esforços desenvolvidos para alimentar um amor de sentido único sejam canalizados, de forma mais sadia, para alguém que nos saiba retribuir!
E se o amor é já uma estrada tão difícil, mesmo quando tem dois sentidos, porquê complicar ainda mais a existência, pretendendo conduzi-lo por caminhos que apenas têm um sentido?

- Helena Sacadura Cabral in «Bocados de Nós» -
A semana de Richard Gere

09/04/07

O fim de semana foi tranquilo. Passado praticamente todo em casa, à excepção de sexta feira que tive um jantar em Lisboa. Na verdade foram uns dias para descansar, dormir e ler bastante. Acho que passei as tardes a ler e a ouvir música. Li dois livros, um deles já referi aqui e o outro foi "Bocados de Nós" de Helena Sacadura Cabral.
Deu-me imenso prazer ler qualquer um desses livros, e dei por muito bem empregue as horas que lhes dediquei.
Acho que neste momento não tenho nada para ler, mas já tenho quem me empreste um livro, que por sinal ando para comprar há bastante tempo, mas o dinheiro não dá para tudo, como tal tenho adiado a compra.
E agora, se me dão licença, e porque uma vez mais ainda não tenho apetite para almoçar, estou aqui a pensar ir até uma livraria.... dar uma vista de olhos!!
Quem sabe não tenho a sorte de encontrar um daqueles livros irresistíveis?
Até já!
"Um Minuto de Silêncio"
Quinta feira passada a partir da uma da tarde já não se trabalhou, como aliás, em muitas outras empresas. Mas eu estive por aqui até às nove e meia da noite, primeiro porque tinha trabalho que me convinha acabar, e o facto de estar sózinha e sem telefones a tocar ajuda muito, e porque tinha que entregar um carro que me foi confiado durante uma semana, por um amigo que esteve de férias. Ao final da tarde ausentei-me para comprar cigarros - sem cigarros tudo se complica - e aproveitei para desanuviar um pouco. Passei por uma livraria e entrei para ver o que havia de novo por lá. Gosto passar pelas livrarias e dar uma espreitadela aqui e ali a ver livros novos ou procurar algum de que tenha ouvido falar e que tenha curiosidade em ler. A certa altura, dei de caras com um que me chamou a atenção, talvez pela cor da capa. Na verdade, posso dizer que o livro me "saltou" para as mãos, até porque não se encontrava em lugar destacado, mas sim junto de muitos outros. É fantástico, porque não tinha ouvido falar ou lido alguma referência acerca do mesmo, e após isto posso afirmar que nada acontece por acaso...
Peguei-lhe e comecei a folheá-lo. Os primeiros textos que li, prenderam de imediato a minha atenção, e decidi comprá-lo.
Há textos de uma beleza fantástica. Um dos muitos textos li, reli e voltei a ler. Lindíssimo! De uma simplicidade que me fez sorrir! É isso, simples como um sorriso! Simples como as lágrimas que me vieram aos olhos.
Um texto em que as palavras não se lêem, elas têm voz própria!
E no seu silêncio, essas palavras falam de sentimento...!
Desejei... nada, o que é que interessa o que desejei? Talvez que um dia também alguém me dedique um minuto do seu silêncio! Ou que eu seja um minuto de silêncio na vida de alguém.
Espero que aquelas palavras sejam lidas por quem despertou aquele sentimento. Que elas cheguem até à pessoa para quem foram escritas. Ao seu destino!! Porque, pela sua beleza simples, merecem ser lidas.
Ah! O livro chama-se "Um Minuto de Silêncio".
Vale a pena ser lido e é por uma boa causa!
Uma semana com....
Richard Gere!!!

05/04/07

E termina assim a semana de Henri Castelli...
Em beleza!!!

Sabem quem está aqui no serviço a fazer-me companhia???
Um miúdo giro, e é uma delicia ouvi-lo.....
Exactamente, Peter Cincotti!!!
Como vêem não tenham pena de mim, pois estou muito bem acompanhada!
Tenho estado aqui de volta de um email que recebi hoje e que diz assim:
"Identifica-te com algo - uma paisagem, um animal, uma música, um objecto, uma flor, um aparelho musical (viola, acordeão, piano, arpa, órgão, pifaro, etc., etc.), um carro, qualquer outra coisa e explica porque te achas parecido com esse objecto, para os teus amigos, aqueles que te conhecem, concordarem ou não! Aguardo uma resposta".
Pois bem, tenho estado aqui a pensar com o que me posso identificar e na verdade não chego a nenhuma conclusão. Achei o desafio engraçado mas não sei que resposta dar.
Vou então, pensar mais um pouco no assunto, ou então chegar à triste conclusão que sou tão imperfeita que não me identifico com absolutamente nada.
Até já!!!
Foto: Kazuo Okubo

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
ainda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.

- Eugénio de Andrade -
Fui almoçar com a minha amiga e o namorado que estão de saída para um fim de semana prolongado.
Regressei aqui ao serviço, porque tenho um trabalho para acabar - afinal alguém tem que trabalhar neste país... - e como não tenho nada programado para estes dias, vou ficando por aqui até me apetecer.
O almoço foram sardinhas, que por sinal estavam deliciosas embora ainda não estejam óptimas. A acompanhar apenas salada e, claro, vinho tinto. De sobremesa leite creme - já não comia há imenso tempo - e café para fechar a refeição, naturalmente acompanhado de um cigarro. Nem o café sabia bem sem esse cigarro.
Boa tarde, para quem eventualmente ainda esteja por aí!
Os meus recortes...

Desconfiar, sempre....

A batalha de argumentos, estudo e palpites sobre a localização do novo Aeroporto de Lisboa entrou na fase a que costumo chamar "de parafuso": daqui para a frente, nunca mais vamos perceber quem tem razão.
Os estudos contrariam-se e todos são credíveis, os políticos contradizem-se e aparentemente todos podem ter razão. No começo, eu só conseguia perceber o que escrevia Miguel Sousa Tavares sobre a matéria. Percebia e concordava. Mas agora, com o fogo cruzado da informação da contra-informação, confesso que já não percebo nada. A Ota serve a toda a gente e a ninguém, que é o pior que pode suceder. Desconfio da Ota, mas... Lá irei...
Claro que gostava de perceber quem ganha e quem perde com o negócio, ainda que entenda que a influência da obra no estado da economia nacional beneficie essencialmente a continuidade do Eng. Sócrates no Governo. Obviamente que aguardo "com tranquilidade" que se saiba tudo sobre os terrenos que estão ali à mão de semear - de quem são, de quem eram e a quem podem estar ligados. Também gostava de saber já, e não depois, quais são as empresas financeiras, de construção, de serviços, que estão a ganhar com a Ota mesmo antes de tudo começar. Por fim, tenho esperança de que, caso se confirme que a Ota é a pior solução e vai ser o elefante branco português do século XXI, alguém - organismos autorizados, políticos, jornais, instituições europeias , sei lá eu... - consiga, por denúncia, investigação, ou judicialmente, deitar o monstro ao chão.
Entretanto, eu desconfio da Ota. Eu e, presumo, a esmagadora maioria dos portugueses. Porque sabemos imenso sobre aeronáutica, ventos e deslocação de terras? Porque somos especialistas em aeroportos? Porque lemos detalhadamente todos os estudos e os entendemos? Não, nada disso. Eu e a maioria dos portugueses desconfiamos da Ota porque até hoje nunca nos deram razões seguras, credíveis, sustentadas e indiscutíveis para confiarmos.
Ora, em Portugal, quando não é tudo absolutamente óbvio, normalmente acaba mal. Melhor dito, como na Lei de Murphy: quando algo pode correr mal, corre mesmo mal...
Olhem o Túnel do Marquês, olhem o metro do Terreiro do Paço, olhem os estádios do Euro. Olhem à volta, em resumo, e olhem mesmo para quem ganhou o jogo dos Grandes Portugueses.
É difícil abandonar a lógica simplória, porém, eficaz: quando não há muitas razões para confiar, há todas as razões para desconfiar....

- Pedro Rolo Duarte in "Opinião" no DN -
A semana de Henri Castelli

04/04/07

Já passava das oito da noite quando ontem saí daqui. E sentia-me "arrasada". Não fisicamente! A pontos de alguém comentar comigo, aqui no serviço, que eu estava com um olhar triste.
Disse que era apenas cansaço! Mas não era verdade!
Meti-me no carro e fui ao supermercado no Corte Inglés. Precisava de fazer umas compras e optei por dar uma volta por lá.
Cheguei a casa tarde e não me lembro de fazer uma boa parte do caminho! De repente apercebi-me que estava quase a chegar, só isso!
Arrumei as compras, entrei na sala, acendi umas velas - gosto do ambiente que dão - um cigarro, e atirei-me para o meu cadeirão. Nem televisão, nem música! Absolutamente nada.
Apetecia-me o silêncio. Só isso! Silêncio!
Perdi a noção do tempo, do espaço, da existência, do meu "eu"!
Por vezes, tenho necessidade de silêncio, de solidão, o que é difícil de se conseguir. E quando penso em silêncio, de imediato a imagem que me chega é de uma igreja, um museu, e também se encontra algum na Serra da Arrábida, para além da sua beleza natural.
Mas ontem, consegui ter silêncio. E encontrei o silêncio da saudade, o silêncio da ausência, o silêncio de memórias, o silêncio de sonhos, o silêncio de emoções, o silêncio do desejo, dos sentimentos, o silêncio dos meus medos, o silêncio da falta, o silêncio da eternidade, o silêncio das minhas dúvidas e das minhas certezas, silêncio das minhas lágrimas que não fui capaz de conter.
Ontem, tive um encontro com o silêncio. E contigo. Com a tua imagem. Comigo. Afinal, connosco!
Lembrei-me de uma frase que ouvi por aí - não sei onde - que diz:
"Quando uma mulher tem algo para dizer e não fala... o seu silêncio pode tornar-se ensurdecedor"!
Ontem, também o meu silêncio foi ensurdecedor, por tudo o que encontrei, lembrei, senti e nele vivi! Não sei se durou um segundo, um minuto apenas, ou uma hora, uma eternidade!
Sei apenas que quando o meu silêncio terminou senti, mais que nunca que fazes-me falta!
O que restou de nós foi um imenso e ensurdecedor silêncio....
A semana de Henri Castelli
16 Anos

Foi há 16 anos que recebi a mais linda prenda do mundo, eram 19.35 H.
Uma menina, tão pequenina, muito rechonchuda, que parecia trazer consigo um olhar um tanto assustado. Peguei-lhe assim que nasceu e aconcheguei o seu corpinho no meu peito, enquanto lhe dava o primeiro beijo e as boas vindas ao mundo!
Hoje, ao olhar para trás, passados dezasseis anos, sinto mais do que nunca que os filhos só nos pertencem enquanto estão ligados a nós, pelo cordão umbilical!
Depois de cortado esse cordão, eles pertencem ao mundo.
Num piscar de olhos, escapam-nos dos braços!
Parabéns "pequeníssima"! A Bi deseja-te tudo de bom, uma vida muito, muito feliz!!

03/04/07

Hoje, apetece-me terminar o dia assim....
Lindamente!!!
" Sem ti, as emoções do hoje não passam da pele morta das do outrora..."

- Hipólito -
Desde a passada quinta feira que tenho comigo as chaves de um "bichinho" - sem tirar sem pôr - igual a este! Está ali sossegadito na garagem.
Pois o meu amigo foi de férias para o estrangeiro, mas antes veio deixar-me esta encomenda.
-É teu! Durante uma semana "usa e abusa" à vontade! Na próxima quinta feira venho buscá-lo!
Bem, acreditem que sem dúvida o dito carro é uma verdadeira tentação, mas é também uma grande responsabilidade...! Lá continua ele à espera do dono!
As chaves estão na minha mala. Ainda vai chegar o dia de entregar o carro, entretanto hei-de trocar de mala e.... as chaves ficam em casa!!!
Fomos almoçar ao sítio do costume, para variar. Assim que entrei no restaurante, vi uns lindos morangos que se "riram" para mim. Tinham um ar delicioso! Eu que normalmente não como sobremesa, nem fruta, ao almoço durante a semana, fiquei a pensar naqueles belíssimos morangos. E quando acabei de almoçar não hesitei em pedi-los!
Gosto de morangos. Há quem ponha açúcar ou chantilly, mas eu gosto deles simples, apenas passados por água (digamos que convém).
Dizem que quando se come uma fruta pela primeira vez no ano, se deve pedir um desejo... Pois eu esqueci-me de pedir esse tal desejo antes de comer os morangos!
Se calhar é porque já não há nada para pedir. E estar a pedir ou desejar coisas impossíveis, nunca foi de meu feitio.
Não me enganei, eram deliciosos!!!

A semana de Henri Castelli

02/04/07

Os meus recortes....

O MEU PIPI

Um português abriu um blog na internet. Não sabe o que é um blog? Pergunte ao seu filho. Chamado "O Meu Pipi". Uma editora (séria) portuguesa achou o lusitano pipi e transformou-o em livro. Uma editora brasileira sentiu o cheiro do sucesso (oitava edição, mais de cinquenta mil livros vendidos, lá) e vai lançar o pipi entre vocês.
E o que tenho eu a ver com o pipi português? É que me chamaram para traduzir, para transformar o pipi português em pipi brasileiro. A senhora acha que todos os pipis do mundo são iguais? Ledo engano. Há que se traduzir. Por exemplo? A senhorita sabe o que é c....? Panasca? Pila? paneleiro? Tirar os três? Pois, pois. E br...., minha amiga, posso lhe garantir que não é "jóia ou bijutaria provida de um alfinete longo ou de um alfinete com fecho, que se usa geralmente ao peito para prender e/ou enfeitar uma peça de vestuário". Não, não é nada disso.
Mas eu não estou aqui para falar da tradução em si, apesar de poder adiantar que se trata de sacanagem pura, maravilhosamente bem escrita, pelas páginas da internet.
Do que eu quero falar hoje é sobre blogs. Se não sabe o que é blog, pergunte à sua avó.
Há quatro anos venho dizendo para os donos das editoras brasileiras (editoras de livros de papel) que o futuro da literatura está na internet. A quantidade de sites e blogs pessoais - só no Brasil - passa de 20.000 segundo cálculos cá meus. Se as editoras contratassem um especialista em internet para ficar fuçando lá durante oito horas por dia, teriam uma surpresa tão boa quanto "O Meu (dele) Pipi".
Quando a minha geração começou a escrever, mostrava os textos para um primo, um poeta local ou simplesmente guardava na gaveta. Quantos e quantos escritores da minha idade não ficaram no meio do caminho?
Hoje, não. O sujeito coloca tudo o que escreve no monitor, cria sites e blogs com a maior facilidade. E, ali fica exposto à visita pública. Poderia aqui citar mais de dez blogs brasileiros que estão merecendo virar livro de papel, mas não vou fazer isso. As editoras que entrem no século vinte e um e se virem.
Vejo mães e pais preocupados porque o filho ou filha ficam seis horas por dia na internet. Relaxem, meus amigos. Tudo o que ele vai ver é um pouco de pornografia e depois fazer uns joguinhos. Mas, depois, ele vai entrar num chat e ficar a conversar com desconhecidos. Escrevendo bobagens, mas não importa. O que eu quero dizer é que nunca a língua portuguesa foi tão exercitada como agora, com o advento da internet. "O Meu Pipi" por exemplo. Ninguém sabe quem é o autor. Nem eu, que o traduzi. Mas desconfio que seja o pseudónimo de um grande escritor português. Um Miguel Esteves Cardoso, por exemplo. Porque, se for algum principiante, a minha tese está certa. Surgiu um novo escritor da nossa língua. Novo e já excepcional.
E vou terminar citando uma frase de Paulo Markum, jornalista, escritor e grande blogueiro:
"Tenho a certeza que os blogs serão para a literatura o que os campos de várzea foram para o nosso futebol. Parece pouco, mas pergunte onde é que todos os craques brasileiros começaram a jogar. E quem pensa que existe muita diferença entre escrever e jogar à bola, está redondamente enganado (sem trocadilho). Num jogo como noutro, só se aprende suando a camisola".
- Mário Prata in "Cronicas" -
Foto: Kaisen

As ausências trazem-nos à memória essências do perfume de uma pele. Como fragrâncias que entram pelo mundo dos sonhos - onde tudo é possível - levam-me a relembrar fantasias que vão alimentando a alma e o corpo.
Porque é possível viver para lá dos limites do corpo...
Porque nos resta a alma!!!
Aproveitei uma parte do fim de semana para fazer uma limpeza mais profunda na cozinha. Armários, gavetas, azulejos, não esquecendo a geleira, que uma vez por outra convém descongelar. Esta foi a parte mais difícil da tarefa. Não pelo trabalho que deu, mas porque no congelador deparei com a encomenda vinda de Moçambique, uma comida típica da terra, que eu pedi para me mandarem para alguém provar. Lembro-me do dia em que estive aqui no serviço até às nove e meia da noite, a fazer tempo para ir ao aeroporto busca-la, acabadinha de chegar da minha terra, da alegria que senti quando comuniquei que já estava em meu poder e que a promessa que fiz estava cumprida, só faltava mesmo ser provado o petisco.
Tudo isto se passou no inicio de Novembro. Passados uns dias recebi um mail e de imediato percebi que afinal aquela refeição não ia acontecer. Mesmo não acreditando em milagres lá a mantive no congelador. E o tempo foi passando! E passaram cinco meses...!
Foi com muito carinho que a encomendei. Por dois motivos tenho pena de não ter atingido o meu objectivo, primeiro porque achei que a pessoa a quem se destinava iria gostar e segundo porque a minha filha gosta muito daquela comida. Afinal, acabou por não ser para ninguém.
A importância que demos àquela caixinha que chegou de tão longe, é proporcional aos sentimentos que temos um pelo outro.
Não ficou mágoa nenhuma! O que se faz com e por amor, nunca se lamenta! Ficou só uma pena imensa, por ter percebido - uma vez mais - que o que é importante para nós, nada representada para outros. O que é natural!
Mais um assunto resolvido, ou melhor, colocado no lixo!
De resto o fim de semana foi bom, embora o meu Benfica ontem tenha empatado.
Hoje o tempo está a fazer caretas e o sol ainda não apareceu para nos dar um...
Bom dia!!!
Uma semana com.....
Henri Castelli!!!

30/03/07

Estou a preparar-me para iniciar o meu fim de semana.
Mas antes, vou encerrar a semana de Brad Pitt....
.....em beleza!!!!
Foto: Carlos Santos

Caiu-me aos pés uma saudade
não sei que lhe fazer
decido deitá-la comigo na cama.

Vagueou
pela noite
e uma lágrima caiu
no orvalho gelado da madrugada.

- Henrique Risques Pereira -
in "Transparência do tempo"

Foto: Karula
Um olhar para o fim de semana que se aproxima....
Ontem cheguei a casa pouco passava das onze da noite. Como ando a tomar um medicamento que me dá bastante sono nos primeiros dias, fui a correr tomar o meu banho, de seguida um copo de leite e fui direitinha para a cama. Acho que "apaguei" em apenas alguns segundos! Às tantas acordo com o telefone a tocar mesmo ali ao lado. Fiquei um tanto assustada, porque não sabia que horas eram, e quando não temos os filhos em casa é logo na primeira coisa em que pensamos. Na pressa de atender o telefone, acabei por desligá-lo!
Bem, fui ver quem me tinha ligado - era quase uma da manhã - e vi então que tinha sido a minha amiga, acabadinha de chegar a Lisboa. Liguei-lhe de volta e estivemos ainda algum tempo a conversar.
O pior de tudo isto, foi realmente voltar a adormecer! Não foi nada fácil.
Já cá estou para mais uma jornada.
Bom dia!!!
A semana de Brad Pitt

29/03/07

Foto: Pedro Gomes
....
A memória é a nossa escola de vida. É a única verdadeira defesa contra a traição e o abandono. Tudo pode ser traído e abandonado menos a memória. É mais fiel que qualquer amigo, é mais longa que a própria vida, é mais verdadeira do que qualquer verdade que temos como certa.

Não posso negar o que vi, o que cheirei, o que senti, o que amei. Não posso negar que fui feliz, se fecho os olhos e sinto outra vez todos os instantes felizes. Não, não posso negar que atravessei rios contigo, que te ensinei o nome das estrelas, que ouvimos juntos os pássaros e o vento nas árvores, que caminhei pelas ruas de mãos dadas contigo.

Enquanto me lembrar estarei vivo, porque esse é o mais certo indício de vida.Eu estarei vivo e, vivendo, não deixarei morrer quem caminhou comigo, ao longo do caminho.

- Miguel Sousa Tavares -
Foto: desconhecido

...Nunca mais nos veremos? perguntei com a estupidez de quando não há perguntas a fazer. Mas ao mesmo tempo, por baixo da minha insensatez, eu sentia o impulso absurdo de recuperar uma irrealidade perdida.
Nunca mais?... E imprevistamente era aí que eu repousava, na tua face, na imagem final do meu desassossego...!!

- Vergilio Ferreira -
Sabia que...

Em 1995 um japonês recitou de memória os 42.000 primeiros dígitos de Pi (3, 14159...) em apenas nove horas??
A semana de Brad Pitt

28/03/07

A presença perturba. A masculinidade da beleza marca. Aguça a libido a beleza que transborda desse corpo e toca o mais fundo da minha alma.
Fico perdida na contemplação dos traços suaves, na boca bem delineada, no amendoado do olhar profundo, no aveludado da pele, o contorno dos braços, na pureza do sorriso... Tudo isto feito homem em ti!
E vou imaginando que sentimentos se escondem por detrás da tua pele, enquanto te observo neste momento de magia e de sonho, na penumbra da minha vida.
Cada momento que a ti dedico é um instante imaculado, suave, iluminado pelo desejo de possuir, ou apenas tocar esse corpo. Só com o olhar.
Apenas tu podes fazer do sonho a realidade. Apenas tu podes reinventar o sonho.
Apenas tu podes fazer brilhar um sorriso, e num ínfimo instante... fazer-me perceber a eternidade do meu sonho perdido!!!
Boa noite.
Pretextos para fugir do real

A uma luz perigosa como água
De sonho e assalto
Subindo ao teu corpo real
Recordo-te
E és a mesma
Ternura quase impossível
De suportar
Por isso fecho os olhos
(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da provocação. É assim que te faço arder triunfalmente onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos.)
Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta
Como um corpo decifrado de mulher
E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços.

- Alexandre O' Neill -

Sabia que....

28% de África é selvagem e não explorada??
A semana de Brad Pitt

27/03/07

Foto: Dominique Lefort

Gosto de ti
no amor e na doença
gosto de ti
apesar de tudo
gosto de ti

ainda

pelo que em nós ficou por gostar

gosto do atrevimento com que ousámos separar
as nossas vidas.

- Miguel Patrício -
Acabei - uma vez mais - de ver Maria José Nogueira Pinto na televisão, com aquele seu ar de muito bem comportada.
Só me apetece dizer aquela máxima: "Não basta ser.... é preciso parecer"!!!
Sabia que....

Os leões copulam cinquenta vezes por dia?
(quantidade nunca foi qualidade...)
A semana de Brad Pitt

26/03/07


Os meus recortes....

E quanto é que ficou o Benfica?
A jacobina França decapitou o seu rei. No auge da revolução uma horda de camponeses saqueou as jóias da coroa. O estado revolucionário e os regimes que lhe seguiram trataram, nos anos seguintes, de recuperar o tesouro dos Borbons. Hoje, a maior parte das peças está em exibição no Louvre.
A revolucionária Rússia fuzilou o seu czar. Uma década depois, com o poder estabilizado, os vermelhos no poder enviavam agentes um pouco por todo o mundo para recuperar o tesouro real de S. Petersburgo. Até a maioria dos faustosos ovos Fabergé foram readquiridos, em segredo, pelo estado soviético. Hoje, a maior parte das peças está em exibição no Kremlin. O fundamentalista Irão recambiou o seu Xá para o exílio. Pelo caminho, no novo país dos ayatolas, invadiram-se embaixadas, queimaram-se livros e decretaram-se penas de morte. Mas as jóias da coroa, símbolo de 2500 anos de poder persa, estão em exibição no Museu Nacional de Teerão. Na republicana Irlanda as jóias da coroa foram roubadas do imponente Castelo de Dublin em 1907. As comissões de inquérito nunca conseguiram formular uma acusação. O público indignou-se e o principal suspeito acabou por levar dois patrióticos tiros numa vendetta orgulhosamente reivindicada pelo IRA.
O conservador Reino Unido mantém as jóias da coroa trancadas na torre de Londres. Sobreviveram a quase tudo durante vários séculos. A maior parte nem sequer é exibida ao público.
Em Portugal as jóias da coroa foram roubadas na Holanda em 2002. Andavam a passear em museus de segunda linha. Não houve escândalos, indignação, processos, nem sequer comissões de inquérito. Aconteceu e pronto. As jóias desapareceram e as promessas de apuramento de responsabilidades também. Os responsáveis pela guarda das jóias continuam a trabalhar, presume-se que nos mesmos cargos. Quatro anos depois, o Estado português prepara-se para receber o prémio do seguro. Diz-se que o dinheiro nem sequer vai ser reinvestido no património nacional. Vai directamente para o Ministério das Finanças para tapar o buraco da CP, do Metro ou coisa que o valha. Não é muito grave.

- Rodrigo Moita de Deus / Revista Atlântico -
Uma semana com...

23/03/07

Tenho bem aqui na minha frente uma foto de alguém lindo, mas que não posso colocar aqui! Só posso mesmo olhar...! É só o que me é permitido! Porque isso ninguém me pode impedir de fazer!
E agora vou então encerrar a semana de Rodrigo Santoro....
Em beleza!!!
Foto: X.Maya

Dizem que para se esquecer um amor, nada como arranjar outro.
Dizem que é possível amar mais que uma pessoa ao mesmo tempo.
Não, para mim não é possível...
Não tenho um coração sobressalente!!!
Não resisti em «roubar» este post ao meu amigo do "Berra Boi".

Demolir
A Câmara Municipal do Porto decidiu demolir um bairro de barracas na Campanhã. O Oceano Atlântico está a fazer o mesmo na Costa de Caparica. Afinal, nem tudo corre mal em Portugal.

Moro num prédio com muitos apartamentos. Demasiados talvez. Em dez anos que lá vivo conheço e dou-me com meia dúzia de pessoas que lá moram. Até esses passo, por vezes, semanas sem me cruzar com eles. Saio de casa por volta das oito horas da manhã, vou deixar os meus filhos nas respectivas escolas, e de seguida venho para Lisboa. Chego a casa por volta das oito e meia da noite.
Mas tenho um ritual diário que é tomar um café na pastelaria do prédio antes de sair. É que no piso por cima da garagem existe um pequeno centro comercial, com sete lojas, entre elas uma lavandaria e um café. E os moradores do prédio não precisam de ir à rua para entrar no café ou deixar a roupa na lavandaria. Descemos no elevador e temos então por dentro acesso às lojas, o que não é mau de todo, verdade?
E diariamente, antes de chegar à garagem, faço a minha paragem no café para tomar a bica e comprar pão.
Por falar em bica, vou ali num instante tomar a segunda de hoje e fumar um cigarro, enquanto apanho um pouco de sol. Hoje as temperaturas já estão mais amenas. Apetece estar lá fora.
Bom dia!

A semana de Rodrigo Santoro está quase no fim.
O fim de semana está quase aí.
Vamos relaxar....!!!!

22/03/07

Foto Nuno Belo
Vejo-te sempre que me apetece.
Basta-me.... fechar os olhos!!!
Ouvido hoje de manhã na rádio RFM no programa "Café da Manhã".
Diz a locutora:
- Carolina Salgado fez ontem 30 anos e convidou para a festa só os mais íntimos...
Resposta do locutor José Coimbra:
- Só os mais íntimos? E será que couberam todos no Pavilhão Atlântico???
As longas ausências e os silêncios daqueles de quem gostamos, por vezes levam-nos a pegar em pequenos pormenores para nos fazermos lembrar e dizer: "Olá sou eu! Ainda te lembras de mim?".
Mas estas tentativas nem sempre resultam, e o silêncio em forma de resposta que nos chega do outro lado, diz-nos mais que mil palavras escritas, e corta qualquer hipótese de diálogo. Ontem tentei dizer um "Olá", mas não passou disso mesmo. Uma tentativa que não resultou.
Na verdade esta indiferença não me surpreende, mas ainda me magoa.
Acho que não havia necessidade de ser assim. Digo eu!
Resta-me pedir desculpa pela ousadia e garantir que não se repetirá!
Bom dia, embora ainda um pouquinho fresco.
A semana de Rodrigo Santoro

21/03/07

Há diversas formas de terminar mais um dia.
Hoje, termino o meu com...

Saudades!!!
Lourenço Marques (Maputo)

Na semana passada, mais alguns elementos da minha família - da parte da minha mãe - regressaram a Moçambique «de armas e bagagens», o que significa que foram para ficar definitivamente. E a cada despedida fica a pergunta, que não chegamos a fazer, talvez porque receamos a resposta: "quando nos voltaremos a ver"?
Moçambique não é ali ao lado! São apenas dez horas de avião! Quando me dizem porque não vou lá de férias - a última vez que lá estive foi em 1979, os meus pais ainda por lá estavam e não os via há três anos - penso sempre que gostava muito de lá voltar, mas os meus filhos certamente que também gostariam de ir, para conhecerem a terra da mãe, como tantas vezes dizem.
Quer se queira ou não, os filhos limitam-nos as opções, não podemos pensar só em nós, porque se não tivesse dois filhos, é possível que também eu optasse por regressar àquela terra, visto que tenho lá família há doze anos. Estou bem neste nosso Portugal, que ninguém duvide que amo este País e o respeito muito, mas que também ninguém duvide que aquela é a minha terra, é lá que estão as minhas origens, todos os dias por qualquer motivo eu lembro aquele País com muito carinho e com uma saudade que não tem fim nem tamanho.
E cada membro da familia que regressa a Moçambique leva um pedaço de mim. O tempo passa, e nunca sabemos se os voltaremos a ver. E a cada despedida não há como evitar as lágrimas.
Aliás, a esta altura acho que o meu destino é viver de saudades...!
Notícia de ontem ao final da tarde e de hoje em alguns jornais, é de que Paulo de Azevedo, é o sucessor de Belmiro de Azevedo, como presidente do Grupo Sonae.
A sério? Surpresa! Quem diria...!!!
Ontem, a seguir às noticias na RTP1, passaram um documentário apresentado por Catarina Furtado sobre o trabalho voluntário no IPO na secção de crianças. Ou seja, sobre crianças que sofrem de cancro! Casos de crianças com poucos meses de idade até outros um pouco mais velhos. Mas crianças, todos eles! Havia crianças que vinham de outros países (PALOP) sózinhos para serem ali internados e tratados. Crianças num país desconhecido, que por vezes não falam sequer a nossa língua, não conhecem ninguém, e ali ficam durante meses sózinhos.
É sempre algo muito doloroso ter conhecimento daquela realidade que nos passa ao lado, porque é vivido por outros, mas para quem tem andado com as lágrimas à flor da pele, foi ainda mais difícil e chocante o que ontem vi. A realidade brutal que atingiu aquelas crianças e aqueles pais que vivem de esperança e se recusam a acreditar que aquela doença não será vencida.
A certa altura, olhei para os meus filhos ali ao lado e percebi que na verdade sou feliz e tenho toda a sorte do mundo.
Problemas? Não, não tenho! Tenho sim alguns contratempos que fazem parte da vida de todos nós!
Depois disso, levantei-me, fui para a varanda fumar um cigarro e nessa altura deixei então as lágrimas cairem... por vezes faz bem!
É mesmo uma necessidade!!
Foto: Karula
Estou a saudar a chegada da primavera.
Bom dia!!!
A semana de Rodrigo Santoro

20/03/07

Foto: desconhecido

As coisas demasiado fáceis não têm graça. O demasiado óbvio não dá "luta", é como se não tivesse beleza própria.
Há pessoas que só sabem viver como mandam as regras, tudo certinho, mas a graciosidade da vida não está aí, não é ser-se tão inteligente que pensamos saber viver.
A beleza da vida está em não recear o desconhecido, é pensar por si só, é ser destemido o suficiente para contrariar as "marés" com que nos vamos deparando no dia a dia.
Não temer o facto de ser autentico, de pensar para dentro de nós, de contrariar esse óbvio, o que todos pensam ser assim, mesmo correndo o risco de sermos incompreendidos e criticados.
E acreditem, que haverá sempre - sempre - alguém que vai entender, compreender o porquê, os motivos, mesmo quando somos perigosamente naturais!!!
Afinal, quem disse que viver é fácil...??
Foto: Miguel
Estou por aqui a ouvir as noticias e a ver imagens do efeito das marés vivas na Costa de Caparica. Há dois meses que não se fala de outra coisa, mas tudo continua na mesma, até as rolotes - aliás, há autenticas vivendas por ali, a pouco mais de cinquenta metros da praia - no parque de campismo ficaram no mesmo sítio, mesmo todos sabendo o que estava para acontecer. E aconteceu! Agora há que pedir indemnizações, o que é hábito! Adiante!
Hoje, quando atravessei a Ponte Vasco da Gama, o Tejo estava calmo e a maré tão vazia que parecia possível atravessá-lo a pé de uma margem para a outra.
Com estes dias lindos que têm estado, fico deliciada pela manhã a ver Lisboa do lado de cá enquanto atravesso a ponte.
Bem, agora vou almoçar, aproveitando o facto de já estar com um pouquinho de apetite... não vá ele passar!!!