16/02/07

Foto: Raul Alexandre
A vida é feita de cores.
Hoje de branco, como as nuvens...

15/02/07

Ontem jantei aqui. O restaurante chama-se "Tertulia do Loreto", que eu não conhecia, mas foi-me aconselhado há já algum tempo. Reservei mesa para as 22 horas - e não foi nada fácil - lá fui buscar o meu amigo ao aeroporto e depois seguimos para os lados do Chiado e deparamos com uma aventura que se chamava "estacionar o carro". Os parques estavam todos «completos», havia carros e gente por todo o lado. Depois de voltas e mais voltas lá consegui estacionar no último piso do Parque do Chiado. Conforme descia piso após piso e nunca mais arranjava um lugar, a certa altura disse: bem, por este andar vamos jantar do outro lado do mundo pois nunca mais paramos de descer....finalmente um lugar, tão desejado.
Bem, após aquela aventura, lá entramos no restaurante onde a nossa mesa esperava por nós. O ambiente é agradável, simpático, e realmente não havia uma única mesa vaga. Saboreei uma deliciosa cataplana de peixe e provei o bacalhau com broa que também me pareceu bom. As caipinhas são razoáveis e o vinho tinto soube-me bem, embora não me lembre qual era, pois não fui eu que escolhi e esqueci-me de reparar nesse pormenor.
Quando saimos do restaurante já passava da uma da manhã e aí sim, reparei que havia imenso trânsito e muita gente naquela zona e àquela hora. O trânsito era tanto que cheguei a casa eram quatro da manhã....
Tive que dormir depressa para dormir muito, pois às sete e meia já estava no banho!!
As noites deviam ser maiores, porque assim não há tempo para dormir! Não se pode ter tudo!!
Porque será que os amigos só me enviam sms, quando o meu Benfica perde?
Ontem o Benfica ganhou e.... nada! Nem uma sms, nem um postalinho, nem uma cartinha, uma palavrinha... Zero! Silêncio! Absolutamente nada!!!
É muito fair play... só o meu amigo do "Berra Boi", me desejou boa sorte!
Mas no domingo - the day after daquele jogo que foi uma injustiça, porque o Benfica marcou 2 golos, contra 1 do Varzim e perdeu o jogo, a vida não é justa - até me telefonaram a perguntar se Varzim se escrevia com "s" ou com "z"... Muito sentido de humor, digo eu!
No próprio sábado, recebi várias sms de alguns amigos e no final do jogo - ainda o árbitro tinha o apito na boca - já me estavam a ligar!
Tranquilamente - sentada de camarote - aguardo a altura certa para lhes cantar aquela música muito conhecida: "Cá calharás..."!!!
E porque a vida é feita de cores...
Hoje de vermelho, a cor da Vitoria!!!
Ontem ligam-me a dizer:
- Amanhã vão entregar ai no teu serviço uma encomenda. São miscaros que mandei para ti!
Bem, de imediato lembrei-me de um amigo, alguém que gosta muito e até já falámos algumas vezes em fazer este petisco.
Ora muito bem, vou então cozinha-los, dividir em doses e congelar!
Depois direi se a primeira dose estava boa.

14/02/07

Boa sorte para o meu Benfica.
Agora vou ao aeroporto buscar um amigo e de seguida vamos jantar!
Boa noite!!!
E de repente deparamos com as opções! Qual delas...?
É o momento, aquele momento em que estamos completamente conscientes da violência da escolha! Exactamente no instante em que temos de as fazer. Porque não se pode adiar uma vez mais, não se pode continuar no "faz de conta"! Há que decidir, optar, escolher...
E temos então a certeza de que cada escolha que fazemos é uma renúncia a outra que se fez ou gostariamos de fazer.
Sabemos perfeitamente que toda a decisão tomada é o recusar definitivo de qualquer outra possibilidade...
Tenho óptima memória para fixar números. Associar um nome a um rosto, nomes de ruas, e coisas do género.... é complicado!!! No entanto fixo facilmente datas, números de telefone, matriculas e tudo o que tenha números.
Dou muita importância a datas que são para recordar.
Durante os anos em que fui casada fiz sempre questão de lembrar e festejar determinadas datas e naturalmente aquele dia. Nos seis primeiros anos, preparava um jantar especial e comprava sempre um presente. Ano após ano, quando nos sentávamos à mesa eu ouvia a mesma conversa: "desculpa, esqueci-me que dia era hoje"! No sexto ano consecutivo, quando uma vez mais me iam pedir desculpa pelo esquecimento, tranquilamente respondi: "não vai haver mais desculpas, porque nunca mais festejamos ou sequer falamos neste dia". Assim foi, aquele passou a ser um dia igual a tantos outros. Nada havia para lembrar ou festejar. Até o dia do meu aniversário chegou a ser esquecido!
Não me recordo de alguma vez receber um presente no dia dos namorados! Nunca!
Inconscientemente ou não, vamos ficando indiferentes ao que era tão importante para nós. Para mim! Aquelas datas que os outros não lembram e que nós não esquecemos! Sentia-me magoada, não porque não recebia um presente, mas sim porque aquele dia tão importante para mim nunca era lembrado. E com o passar dos anos, aprendi talvez para "defesa própria" a ser indiferente!
Mas há um dia em que nos "agarrarmos" a qualquer coisa para salvar o que sabemos não tem salvação possível, e assim, no décimo quinto aniversário do meu casamento recebi um anel, lindíssimo e demasiado caro! Olhei para aquela jóia e nada senti! Nem um sorriso esbocei. O único valor que tinha para mim, era porque tinha sido escolhido pela minha filha. Levantei os olhos e disse:
- Obrigada é lindo, mas já vem demasiado tarde...
Daqui por alguns anos aquele anel será da minha filha, o anel que ela escolheu para o pai oferecer à "Bi", e que afinal foi um presente que chegou fora de tempo!
Diariamente dou uma vista de olhos por alguns blogs.
E vou encontrando recados, insinuações, mensagens lidas nas entrelinhas, para chegarem a alguém. Estão ali, basta dar alguma atenção para se perceber.
Só não sei, se tudo isso chega ao destino, se a pessoa para quem elas são escritas as lê e lhe dá o devido valor...!
A vida é feita de cores.
Hoje de azul, que é a cor do amor...

13/02/07

Foto: Sascha H.

A única marca que deixei na tua vida... foi o desenho de um traço vazio!!
Com um brilhozinho nos olhos

Perto de minha casa há uma florista. A avaliar pelo entra-sai, há muita clientela a comprar flores (e a que preços!). Mas hoje, não é a clientela no geral que me interessa. São os homens. Reparo com atenção quando saem com os seus ramos de flores (gostam muito de rosas, os cavalheiros), com alguma timidez, embaraço, sem jeito, a atravessar a rua em passo de corrida, pode ser que ninguém os veja, Deus queira que ninguém os aborde. O homem com quem hoje me cruzei, por exemplo, com um valente ramo de flores, quase que poderia dizer que sorria. Um sorriso apertado, envergonhado, indecifrável, mas era um sorriso. Como se o acto de transportar aquele ramo não estivesse na sua natureza, receoso que alguém lhe adivinhasse os pensamentos, o destinatário, lhe descobrisse a intenção, lhe capturasse o momento. No entanto, aquele homem sem jeito e possivelmente sem hábitos de florista, sorria. Aquelas flores tinham uma história, talvez fossem o início ou mais um momento de uma história. Um romance, pensei logo. Um ramo de flores para fazer alguém feliz. E quando o homem se cruzou comigo, percebi que a felicidade era também aquele momento. Onde estarão agora aquelas flores? Abandonadas, espero, mas não esquecidas. Como lhes compete.

- Miss Pearls -

Não foi por acaso que escolhi este texto. Amanhã é dia dos namorados! É aquele dia em que as floristas não têm "mãos a medir", na azáfama de fazer lindos ramos de flores, para os namorados. Haverá outros presentes, uns mais caros, outros valem pelo significado que têm. Perfumes, relógios, jóias, um telemóvel que ela ou ele tanto queriam, um poema, o cd preferido onde está aquela música que lhes recorda determinado momento tão especial, ou até um simples postal com dizeres sobre esse tal de «amor», que todos procuramos ao longo da vida. E muitas sms com lindas palavras e muitas promessas.
Normalmente estas ofertas são entregues durante um jantar romântico à luz de velas. Tudo tão bonito, tão doce, tão (e)terno, tão sentido. Naquele momento é verdadeiro!
Mas hoje quero aqui falar de flores, ou melhor, de rosas. Haverá alguma mulher que não goste de receber um ramo de rosas, sejam elas vermelhas (a cor da paixão), cor de rosa, amarelas, azuis ou brancas? Todas as mulheres ficam fascinadas perante um ramo de rosas. Nenhum presente substitui a beleza viva das flores em geral e das rosas em particular.
Recordo um namorado que tive nos meus tempos de adolescente, que vive há muitos anos noutro continente, e que estive sem ver demasiado tempo, um dia - sem data especial - mandou entregar aqui no meu serviço um ramo com 27 rosas. A acompanhar um cartão que dizia: "uma rosa por cada ano que estive sem te ver! Espero não ter que acrescentar mais algumas a estas! Com elas vai um segredo meu até ti. Um segredo que guardei por tantos anos...". O certo, porque a vida é mesmo assim, é que estivemos 27 longos anos sem nos vermos. Quando ficámos frente a frente eramos dois desconhecidos! Apenas lhe reconheci o olhar sincero e profundo, o carinho e a ternura que sempre encontrei na sua voz, nas palavras, nos seus gestos e no abraço apertado com que me brindou.
As rosas que me enviou eram perfeitas, como se tivessem sido escolhidas uma a uma, as pétalas aveludadas, o perfume suave, pareceu-me até ver nelas uma certa vaidade pela sua perfeição absoluta. Lembro-me do que senti quando lhes peguei. No primeiro momento fiquei encantada a olhar para toda aquela beleza, de seguida foi a procura do cartão, a curiosidade quase infantil do "de quem será?", porque na altura não havia ninguém especial a quem pudesse atribuir aquela oferta, pensava eu! Quando li o cartão a surpresa foi grande, um ramo de rosas enviado por alguém do outro lado do mundo, tão longe. E finalmente senti uma "ponta" de preocupação, pois aquelas flores eram a confirmação viva de algo mais do que a amizade que nos ligava há tantos anos. Eu sabia. Tinha a certeza do segredo que elas me traziam. Falavam de um sentimento que eu não retribuia, que jamais imaginei continuasse vivo naquele homem de quem estive afastada tantos anos. Quando nos separamos não eramos mais que dois adolescentes, quase ainda duas crianças. Ele nunca me esqueceu. Procurou-me e encontrou-me! Cada um seguiu a sua vida - em países e continentes diferentes separados por um oceano imenso - para mim ele será sempre o amigo, para ele serei a mulher que de verdade amou, desde adolescente. Hoje, quero aqui lembrar esse homem. O amigo!
Porque nem sempre é possível amar quem nós desejamos.
Nem sempre é possível esquecer quando queremos.
Nem sempre recebemos rosas de quem amamos.
Mas as rosas falam de amor quase sempre!
E quem não gosta de uma linda declaração de amor, contada, segredada, através do perfume e da beleza perfeita de um ramo de rosas, sejam elas de que cor forem?
A vida é feita de cores
A preto e branco, em dias cinzentos, mas sempre belos...

12/02/07

Foto: desconhecido
O tempo, foi gastando o que havia para sentir, em noites adormecidas de vazio, de uma nudez demorada em silêncios, de palavras soltas que não cheguei a dizer.
De que serve o conhecimento, as experiências da vida, quando o amor nos é impossível?
Fecham-se os olhos, os braços caem ao longo do corpo, cansada da luta que perdi.
Poderia ter sido diferente...?
Na memória, ficou o brilho de uma noite de luar, pousado no teu olhar!!!
A vida é feita de cores.
Muitas, intensas, variadas.
Nós é que, por vezes, nos recusamos a vê-las...
E de repente isto tudo por aqui abanou... e bem!!!
Achei que tinha sido uma tontura e fiquei então à espera de alguma reacção dos colegas, que por sinal foi imedata.
Para descontrair, fomos lá para fora fumar um cigarrito sempre havia mais espaço para fugir no caso de se repetir.
Fim de semana em que o tempo não ajudou.
Sábado passado em casa, com as limpezas do costume. Sair o menos possível até porque não apetecia, devido ao tempo que horrivel e os filhotes tinham que estudar. Afinal estão na altura dos testes.
À noite fiquei a ver o meu Benfica, perder com o Varzim. É uma injustiça, pois o Benfica marcou dois golos o Varzim apenas um e eles é que ganharam o jogo. Não está certo, digo eu!!!
Domingo, depois do primeiro café, fui votar, não pertenço ao grupo daqueles que ao domingo vão para os centros comercias passear e desarrumar as prateleiras das lojas para não comprarem nada, mas sair de casa para ir votar é que não dá jeito nenhum...!!
Com encontro marcado com uma das irmãs, lá fomos tratar de umas comprinhas que faziam falta, a ela e a mim, pois com companhia temos sempre uma ou mais opiniões.
Acabamos por almoçar e jantar todos juntos e as crianças adoram aqueles momentos em que estão todos juntos.
Hoje...bom dia!!!

09/02/07

Foto: Kaleo

No turbilhão do dia a dia de cada um, nem sempre nos apercebemos do que nos falta. Não é a falta de bens materiais. Esses vão-se adquirindo, aos poucos, conforme a urgência e necessidade que temos desses objectos.
Estou a falar de outras faltas. Pensamos que basta ter algum dinheiro na mala, basta acreditar, basta termos alguma liberdade, basta sorrir, basta sentir, ter saúde, um emprego e amigos!
Não, não é verdade! Gosto de momentos de solidão, de estar sózinha, a ler, ouvir a minha música, ou simplesmente pensar. É uma solidão escolhida. Desejada. De opção! Não é imposta. E quando a solidão acontece, naqueles momentos em que precisamos muito de alguém - que não é a familia - junto de nós, aí sim, sentimos a falta.
Falta de um ombro, de um corpo encostado ao nosso que mexe devagar, de ter alguém à nossa espera, ou ter alguém por quem esperar, de um sorriso, de um aconchego, que nos escute ou para escutarmos. De alguém para dar boa noite, ou a quem fazer o último telefonema. Do beijo. Do riso ao ouvido. O dividir. Alguém a quem dar a mão. Na cama o calor de um corpo ali ao lado. O aconchego no sofá numa tarde fria. Partilhar o jornal, a noticia. Namorar. Uma noite intensa de amor. A cumplicidade....
É disto que, de repente, num dia qualquer sentimos falta. Uma falta que pesa. Demasiado!
E abafamos essa falta. Não comentamos. Não falamos sobre ela. Ninguém fala a ninguém das faltas que sente. Das saudades que tem. Recusamo-nos a falar do que nos assusta...
Calamos a necessidade que temos, a falta que sentimos das coisas bonitas!
Gritamos as outras, as futilidades, porque essas fazem-nos rir, ou nos desviam as atenções...
Vamos arrumando histórias e começando outras. Deixamo-nos ir porque nos estendem uma mão, ou nos dão um carinho - que sentimos falta - e no fim só nós mesmos saimos magoados!
Será mais fácil sentir a falta, do que dizer a verdade de um:
Faltas-me! Preciso-te! Gosto-te!!!
Todos os meses compro a revista Atlântico. Bem, todos os meses também não é verdade, porque tenho sempre uma certa dificuldade em encontrar a dita revista. A partir do dia 29 de cada mês, lá estou eu de "sentinela" na tabacaria do centro a perguntar: Já saiu a Atlântico? Umas vezes oiço um «ainda não, talvez amanhã», outras vezes «já esgotou».
Mas este mês - talvez num dos meus dias de sorte - lá encontrei a "Atlântico".
Na secção de "livros-filmes-discos-artes" deparo com um artigo "Um outro MEC", sobre o livro de Miguel Esteves Cardoso "A Minha Andorinha", crónicas publicadas no DNa.
O artigo da autoria de Henrique Raposo, onde fala de «um outro MEC» sempre diferente e sempre igual, está óptimo.
E deixou em mim um "bichinho" chamado curiosidade, e com uma vontade imensa de ir a correr comprar o tal livro de crónicas de MEC, que sempre gostei de ler, no seu estilo único!
Mas como a vida não é, nem está nada fácil, e temos que fazer opções todos os dias - algumas não fazemos, são-nos impostas - vou ter que aguardar mais um pouquinho para adquirir o tal livro.
A seguir ao almoço....