23/08/06

Como já aqui disse, durante estas férias, para além de fazer muita praia, reparti o meu tempo entre o Meco, Carvalhal, Pêgo e a Comporta, qualquer delas - na minha opinião - são belissimas praias, aproveitei e li bastante. Cheguei a passar tardes inteiras em casa a ler e ouvir música simplesmente. Principalmente a semana passada que não convidava para a praia, estava e estou sózinha, como tal entreguei-me ás delicias da leitura.
Li a Visão, a Atlântico - achei este último número com um agradável "cheirinho" a verão - li o último livro de Rodrigo G. de Carvalho «Mulher em Branco», que na verdade estou quase a terminar, porque interrompi para ler um livro fantástico, talvez o melhor que li até hoje, de Hermann Hesse "Siddhartha - Um poema indiano". Atrevo-me a dizer que é um livro obrigatório, que todos deviam ler. Uma lição de vida.
De tudo o que li e entre várias passagens do livro destaco esta:

"As palavras não fazem bem ao sentido oculto, tudo o que é igual torna-se sempre um pouco diferente quando é dito em voz alta, um pouco falseado, um pouco louco - sim, e também isto é muito bom e me agrada bastante, também com isto estou de acordo, que aquilo que é tesouro e sabedoria para uma pessoa, seja sempre uma loucura para as restantes.
...
Posso amar uma pedra e também uma árvore ou um pouco de casca. Tudo isto são coisas, coisas que nós podemos amar. Mas não posso amar palavras. É por isso que não aprecio as doutrinas, não têm dureza ou moleza, não têm cores, não têm arestas, não têm cheiro, não têm gosto, nada têm senão palavras. Talvez seja isto que te impede de encontrares a paz, talvez sejam as palavras em excesso. Porque também libertação e virtude, também Sansara e Nirvana são meras palavras. Nada existe que seja o Nirvana; apenas existe a palavra Nirvana."

Quando terminei de ler este livro, estive durante algum tempo - não sei quanto tempo - sentada apenas a ouvir música e a pensar naquelas palavras e em todas as que aqui tenho escrito para ti. Centenas de palavras que falam de sentimentos e que nunca conseguiram chegar até ti. Nunca as minhas palavras - ditas ou escritas - te conseguiram dizer algo, transmitir o seu verdadeiro significado! Porque são meras palavras, não são o sentimento verdadeiro e elas não conseguem exprimi-lo. E afinal, tu nunca necessitaste de palavras - embora já as tenhas escrito - para me dizeres o que não sentes. Basta-me o teu olhar!
Quando terminei aquele livro, aquelas palavras que tanto dizem, parei e pensei em mim!
Pensei...em nós!!!